R.I.P Prof. Dr. Roberto Machado. Um Nordestino que deixou um imenso legado na filosofia brasileira
Faleceu este GIGANTE na filosofia brasileira. Ele orientou vários pesquisadores no IFCS-UFRJ e publicou vários livros.
Fui
aluno dele em 2007, 2008 e 2009 nos seminários sobre Nietzsche,
Deleuze, Proust e Foucault . Tive honra de estar presente na última aula
dele como professor no IFCS-UFRJ. Ele se aposentou e foi aplaudido
dentro de uma sala lotada. As pessoas chegavam 60 minutos antes de cada
aula para reservar lugares. Eu estava LÁ naquele momento histórico.
Troquei vários emails com ele. Ele gostava muito de mim. Uma vez em 2010
ou 2011 ele me ligou num domingo pela manhã e me recomendou entrar em
contato com o professor/musicólogo Jean-Jacques Nattiez porque eu queria
fazer doutorado em Musicologia. Roberto conhecia o tal musicólogo.
Contactei Nattiez somente em 2019 quando eu já tinha concluído o
doutorado em Dresden devido um projeto de pós doutorado. Nattiez me
respondeu dizendo que já está aposentado. Após concluir o curso Deleuze e
cinema, redigi um conto longa metragem em homenagem ao Roberto Machado.
Ele leu e gostou muito. Depois ele sempre me dizia: eu gosto muito de
ler os contos que você escreve.
Aqui o conto longa metragem "Jesus e a gangue dos samurais: Uma heresia sexy cinematográfica"
https://harmoniaseheresiasdejoe.blogspot.com/2021/03/jesus-e-gangue-dos-samurais-uma-heresia.html
ou aqui
https://joevancaitano.blogspot.com/2021/03/jesus-e-gangue-dos-samurais-uma-heresia.html
Roberto Machado <rob@alternex.com.br>
Para:joevan.caitano@yahoo.com.br
qua., 6 de mai. de 2009 às 18:22
"Joevan,
Li seu texto com muito interesse, admirando sua inventividade e senso
artístico e rindo várias vezes, pois ele é muito bem humorado. Um
abraço."
Uma
vez estávamos assistindo a aula dele, e de repente um jovem entrou na
aula (invadiu), se posicionou na frente dele e gritou umas frases
agressivas de efeito. Os alunos escutaram silenciosamente aquela
retórica de protesto. O rapaz falou o que tinha que falar, virou as
costas e foi embora. Roberto Machado tranquilamente nos falou: esta cena
eu testemunhei várias vezes durante as aulas de Michel Foucault e
Gilles Deleuze na Europa. Roberto deu continuidade à aula dele sem
perder o pique. Continuou lecionando como se nada tivesse acontecido.
Uma
vez Roberto Machado nos contou que numa das estadias de Michel Foucault
no Brasil, o filósofo francês decidiu provar do açaí no nordeste
brasileiro. Foucault muito empolgado ingeriu o liquido tupiniquim e
quase VOMITOU. Ele odiou açaí na primeira experiência e não quis mais.
Roberto Machado insistiu estimulando Fuca Fuca no Foucault para ele
continuar provando, porque nossos gostos sao GOSTOS APRENDIDOS.
Uma
vez ele nos contou que estava viajando de trem de Paris para Heidelberg
lendo Karl Marx. Viajando ele percebeu que havia perdido a fé na
doutrina católica. Roberto Machado foi criado no catolicismo e era um
jovem de muita fé religiosa. Ele disse que foi normal o desvirginamento
doutrinária. Ele se deu conta que não acreditava mais na doutrina e
continuou vivendo normalmente.
Roberto Machado foi super competente quando foi professor, orientador e pesquisador. Seu legado ficou.
Jorge Luis Borges escreveu no "livro Borges oral & sete noites".
“[...] Acredito
na imortalidade: não na imortalidade pessoal, mas na cósmica.
Continuaremos sendo imortais, para além da nossa morte física fica nossa
memória, e para além da nossa memória ficam nossos atos; nossos feitos,
nossas atitudes, toda essa maravilhosa parte da história universal,
mesmo que não o saibamos, é melhor que não saibamos”.
Com pesar e gratidão
Joe
Leipzig

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