Sobre o falecimento do professor e ex-reitor da FABAT Roberto Souza

R. I. P


Roberto Souza (18.01.1941-25.02.2021)

Faleceu nos Estados Unidos Roberto Souza. Foi professor e reitor na Faculdade Batista do Rio de Janeiro quando me matriculei em 2000. Era exímio conhecedor de novo testamento e língua grega. Um homem MUITO GENTE BOA.
Me lembro dele no famoso prédio 19 na colina logo na primeira semana de aulas. Os veteranos aprontaram no culto da santa e alguns calouros muito crentes (crias do protestantismo) se revoltaram com o ritual herege de madrugada. Os calouros enviaram abaixo assinado ao dignissimo reitor Roberto Souza e entregaram na casa reitoral que ficava próximo. Ele agendou uma reuniao as 23:00 no corredor do prédio 19 com todos os seminaristas/moradores. As 23:00 todos os calouros estavam lá (+ alguns do primeiro ano B), mas somente um seminarista veterano compareceu pontualmente. E os demais veteranos? Nao chegavam de jeito nenhum. O reitor decidiu prorrogar o tempo de espera/tolerância. Como começar a reuniao somente com os calouros? As 23:15, finalmente chegou o segundo veterano. Depois foram chegando os demais estudantes do segundo, terceiro e quarto ano que organizaram o "ritual herético" com calouros de joelhos rezando Avé Maria. O reitor decidiu finalmente iniciar a reuniao. Ele olhou para o cronômetro começoz discursar. Pontualmente na hora incerta, o Tchê mineiro interrompeu o discurso reitoral e começou reclamar sobre a " falta de extintores no prédio badalado". "Reitor! se houver um incêndio aqui, todos morrerao; nao há saídas de escape. Estamos num labirinto entregues à morte". O reitor escutava atentamente. Quando ele retomou a palavra, outro veterano interrompeu novamente e apontou para a falta de higienização dos banheiros alegando que crocodilos boiavam livremente nos vasos consagrados. O reitor assegurou que todos os problemas seriam resolvidos. Mas, afinal, porque estamos aqui, caro reitor? indagou outro seminarista veterano. O assunto "desrespeito herético aos calouros" foi novamente abordado, bem como, os traumas psicológicos provocados pelos beijos forçados na imagem afro da Nossa Senhora Aparecida. O reitor garantiu que os traumas psicológicos seriam tratados por profissionais especializados, declarou apoio e proteção total aos calouros, orou, despediu de todos e foi para a casa reitoral dormir um sono tranquilo após um dia absurdamente CONTURBADO.
Depois vi Roberto Souza lecionando em salas de aulas, pregando em cultos na capela, fazendo traduções simultâneas (inglês/português) de preletores norte americanos (Roberto estudou nos EUA) e outras atividades.
O bom humor, inteligência e sabedoria marcaram a liderança de Roberto Souza naquela colina. Em 2002, ele entregou o cargo de reitor e deixou um vazio marcado por atmosfera de tristeza na colina. E agora? o que fazer? para onde ir?
Morreu um GIGANTE na Afetividade. Morreu um reitor INESQUECÍVEL. Morreu um pastor/professor calmo, sereno, moderado, policompetente, carismático e tranquilo. Roberto era muito culto, refinado, mas povão. Seu legado continuará divivo na nossa memória.
Esta foto é muito bonita e muito significativa.
Morreu o avô; o neto continua vivendo, porque os filhos e netos significam extensões DIVIVAS do avô que partiu para outra dimensão espiritual. Vida longa à este bebê na foto.
Joe
(Leipzig, 27.02. 2021, 23:33).

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