Sobre a morte de Aliete Miranda no Amazonas
Minha mãe quem enviou a notícia sobre a morte da Aliete. Eu estava no banheiro na casa do Michel quando li. Começei chorar. Precisei controlar meu emocional para conseguir sair de casa com malas e embarcar no Trem de Dresden para Leipzig. Entrei em contato com a Rivana (filha mais velha) e ela chorando me contou que Aliete não resistiu e morreu por falta de equipamento adequado para tratar da doença antiga que ela tinha: ASMA. O Covid potencializou a asma. Aliete deixou um rastro de dedicação ministerial nas Igrejas Batistas em Altamira, Itaituba, Itacoatiara, etc, treinando mensageiras do Rei, Sociedade Feminina, trabalhando em parceria com o engajado esposo Pastor Erivam. Em Itaituba, Aliete regeu o coro e eu fui organista acompanhador. Morei na casa pastoral em Itaituba em 1996 e convivi com Aliete diariamente. Em 2011 reencontrei ela e pastor Erivam na Convenção Batista brasileira em Niterói. Aliete mantinha contato comigo pelo Facebook e ela se mostrou mente moderada e receptiva as minhas mudanças. Aliete pregava o cuidado via uso de máscaras, etc quando via pessoas imprudentes ignorando o perigoso Covid. Ela foi contaminada e faleceu. Continuamos na torçida para que Erivam sobreviva ao Covid; ele continua internado. Precisamos ter fé, mas não temos garantia de nada nesta vida. Tudo é FRÁGIL e vulnerável. O sistema de saúde no Brasil não dispõe de estrutura para enfrentar esta calamidade. Erivam se sobreviver precisará SER MAIS FORTE DO QUE FOI para tocar a vida faltando a companheira que deu suporte à ele durante décadas. Estamos lidando com um contexto de SOBREVIVÊNCIA e INSEGURANÇA. Aliete foi uma GUERREIRA que sucumbiu. O legado que ela deixou precisa ganhar visibilidade. Quem conviveu com ela e foi abençoado pelas atividades que ela desenvolveu, pode escrever ou gravar um vídeo sucinto dando testemunho. A FÉ continua valendo muito neste contexto de calamidade.
Mais do que nunca é preciso gritar "Deus é o nosso REFÚGIO, FORTALEZA e SOCORRO bem presente na hora da ANGÚSTIA". Deus pode ser interpretado como seres humanos que podem dar suporte emocional à outros seres humanos devastados emocionalmente enterrando familiares. A FÉ sem obras (suporte concreto) é MORTA. Neste momento as filhas Rivana e Aline estao ao lado do pai arriscando as próprias vidas com risco enorme de serem infectadas. O cuidado das filhas é CUIDADO DE DEUS no mano a mano na realidade CRUA E NUA.
Erivam foi pastor interino na Igreja Batista em Rurópolis em 1996. Estive no culto de despedida dele em dezembro daquele ano. Viajamos juntos. Eu morava na casa dele. Aliete ficou com as filhas e nao viajou para Rurópolis.
Numa das viagens que Erivam fez de Itaituba para Rurópolis, o motorista perdeu o controle do ônibus na Transamazônica escorregadia no inverno (estrada de lama), e quase houve uma tragédia. A metade do ônibus ficou suspensa no abismo e a metade ficou colada no solo. Cada passageiro clamou as divindades que acreditavam, porque a fé é PLURAL. Todos ali estavam à deriva e felizmente, todos escaparam com vida.
Meus sentimentos e saudades from Leipzig, Alemanha.
Aqui uma das últimas fotos da Aliete em vida. Ela, esposo, filha, genro e neto.

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