O legado das professoras Marluce e Noemia (Colina 2000-2003)

Quando ingressei no Bacharelado em Música Sacra em 2000 fui estudar canto com a professora Marluce Faria. Na primeira aula ela me deu uma ária para baixo/barítono em alemão. Eram mais de 30 páginas cada obra. No recital na Capela no final do semestre cantei em línguas estranhas subvertendo o idioma germânico e emiti um dialeto melódico estranho e original. A Marluce glorificou a Deus e falou que eu tinha futuro.

Eu queria cantar repertório profano com musicalidade das TREVAS e Marluce me dava apenas repertório CASCUDO para louvor a Deus.
Terceiro semestre fui estudar canto com a professora Noemia Marcelino. Ela era eclética. Me dava cantatas para Exú e Tupã e obras Gospel Black norte americanas para dignificar Jesus. Noemia me deu uma obra em inglês com acompanhamento de piano e batuques. Ensaiamos, mas o inglês estava padrão deplorável. Ela pegou no meu pé e exigiu memorizar todo texto em inglês e procurar algum gringo para corrigir a pronúncia. Nenhum gringo foi enviado por Deus na Colina e chegou o DIA DO CONCERTO. Eu subi no palco, empinei o olhar e SOLTEI A VOZ emitindo um inglês padrão xuricântaras e labaxúrias. Estava chovendo lá fora, mas a capela estava lotada de seminaristas que RIAM MUITO escutando meu Inglês Emblometion.
A professora Noemia ficou uma URSA, se levantou, interrompeu a minha performance, me deu bronca publicamente e disse que aquilo era uma PALHAÇADA. Ela gritou na cara de pau: Desce daí. Acabou o circo. Ela ordenou que eu estudasse o texto em inglês para cantar corretamente em inglês. Agendamos outro concerto. Eu arrebentei na repescagem cantando em Joiês.
Em 2000 a Marluce pegou PESADÍSSIMO me estimulando cantar óperas em Alemão. Em 2001 a Noemia me deu trocentas obras em inglês. Passei vergonha, mas CANTEI.
Em 2019 eu defendi um uma tese escrita em inglês num doutorado pleno na Alemanha. Todas as nossas competências são COMPETÊNCIAS APRENDIDAS. Mas, é preciso um estímulo inicial para dar os primeiros passos.
Valeu Marluce; valeu Noemia.
Nossas palavras não voltam vazias.
Com nostalgia subversiva e gratidão zuatrix.

Comments