Educação de base como caminho para a transformação: O empreendimento de Miguel Furtado e Socorro Furtado

 

Há duas semanas eu sonhei com o casal Miguel Furtado e dona Socorro. Ambos eram nossos vizinhos na badalada/antiga rua 9 em Rurópolis-Pará de 1988 até 1995. Era uma rua repleta de meninos peladeiros amantes do futebol. Seu Miguel era um homem muito culto para os padrões daquela pequena cidade na década de 1980 e 1990. Seu Miguel ficou desempregado alguns anos e a esposa dona Socorro trabalhava muito costurando roupas numa máquina de costura. Aquelas encomendas sustentavam aquela família com 7 pessoas. Em 1993, o casal enviou um filho para estudar na MELHOR ESCOLA privada em Santarém. Em 1994, enviou o segundo filho para outra cidade. Em 1995, enviou o terceiro filho que foi meu colega de turma da quarta-série até a oitava série no Ensino Fundamental. Em 1995, Miguel e Socorro já mostravam que eram GIGANTES VISIONÁRIOS apostando na educação escolar dos filhos. Quer ir na missa aos domingos? quando algum filho queria ir, acompanhavam os pais. Quem nao queria ir ficava fazendo outras atividades. O foco era o lazer na infância e seriedade na escola.
Sou mega fã do Miguelito e dona Socorro. Em 2013 quando estive em Rurópolis, numa manhã chuvosa, reencontrei o Marcos Furtado. Ele desceu da bike e me deu um abraço saudosista e me falou: Prince (meu apelido de infância)! Quando tu chegou na nossa rua, você nao sabia de NADA, mas aprendeu tudo rapidamente. Em 1995, eu já tinha aprendido que é PRECISO AGIR. Como consegui bolsa de estudos para estudar alemao no caríssimo Instituto Goethe no Rio de Janeiro? metendo as caras. Miguelito fez isto na década de 1990. Ele agiu, mexeu os pauzinhos para conseguir colocar os filhos em escolas privadas excelentes. Todas as vezes que consigo algo com bravura, me lembro do Miguelito. Ele foi e continua sendo uma baita inspiração para mim. Espero que ele e dona Socorro continuem vivos por mais alguns anos, o suficiente para revê-los e almoçar com eles. No sonho, eu estava almoçando com eles numa mesa FARTA. Na década de 1980 e 1990, eles passavam necessidades com 5 filhos pequenos.
Em 2013, reencontrei Miguelito usando óculo RAY BAN super jovial e sociável. Ele estava vivendo uma vida confortável. Ele fez foto com conosco no churrasco. Fizemos uma foto com um ANCESTRAL VITORIOSO.
Faltou Tiêscoli conosco. Outro parceiro de peladas.
Um relato inesquecível: No final da década de 1980 eu finalmente estava descobrindo os prazeres do corpo no início da puberdade. Nao tínhamos internet para ver os vídeos calientes, mas tínhamos revistinhas com imagens eróticas. Nas novelas e filmes, de quando em vez apareciam cenas picantes e nós criancas ficávamos animados e CURIOSOS. Era procedimento comum as criancas desenhando cenas de sexo selvagem em papéis. Numa tarde qualquer, lá estava eu e outras criancas (Urisco, Magal, Madona, Auriney e afins) desenhando putarias sentado na varanda da casa do Seu Miguel. Depente o Seu Miguel apareceu na varanda e VIU minha ARTE ERÓTICA: Um homem muito forte e pirocudo (cavalo) socando numa mulher que gemia em delírios de júbilo. Eu suei de MEDO esperando uma BRONCA MORALISTA e REPRESSORA do Seu Miguel. O Miguel surprendeu-me dizendo: Meu filho! Sexo é MUITO BOM. Aí me destravei todo e continuei me divertindo com as imagens de corpos humanos em alquimia afetiva. Miguel me lembrou do relato de uma criança filha de uma amiga paraense. Ele com 10 anos me contou que estava brincando na casa da avó e ela estava ausente. A vovó chegou e a casa estava toda suja de tintas e coisas espalhadas. Ele ficou morrendo de medo da fúria da vovó. A vovó surpreendeu e falou: "Ameeeeei. Eu gosto de ver você brincando FELIZ. As criancas vivem para BRINCAR. Vovó se sente feliz com a tua felicidade". O netinho se destravou e continuou desenvolvendo a felicidade BRINCANDO. Walter Benjamin escreveu em seu livro Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação: "as crianças quebram brinquedos para ver e co-ver a ALMA DO BRINQUEDO". Criancas precisam ter limite? sim. Mas, é preciso saber diferenciar até onde vai o limite e onde começa a malvada e castratora Repressão. A Repressão é maléfica e faz ESTRAGOS no desenvolvimento humano.


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