Dormir bem faz toda diferença para o sucesso na hora H
Em 2012 eu morava na Lapa, e
subitamente recebi uma ligação do jovem compositor André Codeço.
Joe! Estou no Rio de Janeiro. Posso pernoitar no teu quarto? Ok. No
problem.
André chegou todo esbaforido com coração na mão. Mano!
É o seguinte. Estou pegando minha prima espirituosa em off, mas
ninguém sabe; Parada frenética e secreta em família. Mas, bicho, estou afim de
assumir esta parada. Marquei um encontro com o temível pai da garota
amanhã. Preciso urgentemente preparar uma linha de discurso para
convencer retoricamente o velho adestrado nos princípios afetivos da
"família projeto divino". André digitava um parágrafo e lia em voz
alta fazendo simulação de enfrentamento. O cara ficou possesso de
perfeccionismo vocabular, mas eu insistia: Bicho! Nao são apenas palavras
bem costuradas que convencem afetuosamente o pai e a mãe de uma
garota. Tem que rolar química. Quando rola química entre o mancebo
outsider galanteador e a família, há plenitude de hospitalidade e
receptividade genealógica de alegria. André esticou-se
retoricamente e criativamente noite a dentro. Foi dormir exausto após
intensas testabilidades combinativas discursivas, que implicou numa
ginástica neuronal absurda.
Dormiu carregado de expectativa e
ternura. Quando acordou, se deu conta que dormiu demais. Sem tomar
banho, vestiu-se alternativamente e correu em direção à barca que o
conduziria até Niterói, sede dos encantamentos marcado por desejo e
perigo. Quando chegou na casa do sogro, foi informado que o pai da
garota havia acabado de sair. Ele esperou, esperou, esperou nos
descontos do segundo tempo, fez prorrogação de consciência, mas
nada.
Conceder pênaltis na hospitalidade e paciência, seria abusar
do senso da paternidade de si mesmo de boa vontade.
Me lembro que
fui fazer um concurso na Universidade de Uberlândia. Fiquei
estudando até de madrugada na noite que antecedeu a prova eliminatória.
Na hora H, meus olhos pesavam 500 toneladas e meu entendimento
ficou super diminuto.
Dormir bem para estar com o corpo inteiro, faz
toda a diferença nos momentos DECISIVOS.
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