Bengas cinematográficas

Entre 2009 e 2011 pesquisei prazerosamente no acervo de filmes do Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro. Naquela ocasiao, conheci um coroa de uns 70 anos que sabia tudo e mais um pouco sobre cinema brasileiro. O velho bateu o olho em mim e gostou do meu jeito de cinefilia Joiês. Ele pedia para assistir filmes comigo na cabine escura. No dia que mostrei o filme Querelle do diretor alemao Fassbinder, o coroa flutuou nas maiores alturas quando viu a cena do negao surubalizando o curioso mancebo curvado na mesa de afetivizacoes subversivas. O velho sabia onde eu morava no bairro Glória, e num belo dia, pontualmente na hora incerta, ele apareceu na minha casa justificando que estava vendendo produtos da AVON e perguntou se eu queria algo. No meio do papo, o velho safado disse que vendia Avon, mas queria mesmo era uma benga preta da Natura Natureza. Eu me recusei oferecer o fagote boticário. O velho tarado ficou arrazado e implorou-me: Você ainda é jovem. Por favor me coma. Em breve eu morrerei.. Posteriormente em Leipzig, fui num evento e conheci um velho dotado de simpatia. Ele descobriu onde eu moro e veio duas vezes sem me avisar. Ele nao me encontrou porque eu estava ausente. Cheguei em casa e vi um bilhete debaixo da porta e dizia: Querido Joe! Te procurei pela terceira vez e você nao estava em casa. Deixei um presente para você na caixa do Correio. Ele jurou que nao queria benga. Queria apenas espiritualidade bem acompanhada.

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